O sumiço da boneca
- Malu Rocha

- 24 de jun. de 2020
- 1 min de leitura
Atualizado: 2 de jul. de 2020
Ia à tardinha passear com minha boneca Katia à porta de casa. Ela era linda, cabelinhos curtos encaracolados, rosto bochechudo, perninhas grossas.
À tarde, a partir das 4 horas, um ritual se fazia presente - merenda, banho, escolha de uma roupinha limpa - para passear a porta com aquela boneca preferida. Só que por alguma outra coisa que me roubou a atenção, deixei-a esquecida no muro baixo que havia na entrada da casa. Mas, para desespero mais tarde voltei pra pegá-la e não a encontrei. Sofrimento, angústia, dor dilacerante cortava meu peito de menina, que chorava copiosamente. Não lembro mais o tempo que durou, o fato é que a minha irmã mais velha a havia encontrado e guardado, para me dar um susto. Com as observações educativas de que eu tomasse mais cuidado com as coisas que amava.
Essa boneca também me traz uma outra recordação, que traduz-se numa imagem. Na penumbra do quarto que era meu, sobre a minha cama, coloco essa boneca deitada para dormir, e a cubro com um paninho, lençolzinho. Mas, o interessante é que essa imagem só brota à minha consciência, quando no 3º dia em casa já com a minha filha recém-nascida, a coloco no berço cobrindo-a, vindo imediatamente a imagem cravada em meu ser, olhando-me aos 6 anos acalentando e vivenciando uma maternidade tão tênue!
Obs: Jung (Carl G.) maravilhosamente descobre e desenvolve os escritos em sua teoria dos arquétipos, cujos hábitos repetitivos trazemos de imemoráveis civilizações. O nosso DNA psíquico.




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